1 ano de estribo biônico

Por: Fabricio
Bem! Vou falar da minha experiência com o sistema de saúde pública daqui do Québec… Sei que tem gente (que mora aqui, obviamente) que pode não concordar comigo, mas cada um tem suas experiências com este sistema… Vou contar A MINHA para os meus conterrâneos então, beleza?!

Há pouco mais de um ano, eu me submeti a uma cirurgia no ouvido esquerdo que substituiu esse ossinho minúsculo no canto direito da foto abaixo (o estribo – ah esse danado…) por um “micro-estribo-estribado-super-power-biônico”, feito de titânio e teflon.

Resumindo, eu tinha um problema chamado otosclerose neste ouvido. Resumindo novamente, a função desse ossinho (o danado do estribo) é vibrar mais que a torcida do Flamengo. Mas o dito-cujo estava calcificado e quase não vibrava mais (parecia muito com uma outra torcida que não vem ao caso agora)… E resumindo de novo, eu estava 85% surdo do ouvido esquerdo.

Eu tentei corrigir este problema antes de vir para cá! Há muitos anos atrás, o valor desta cirurgia no brasil era equivalente ao preço de um carro popular e não era coberta pelo meu plano de saúde… E a fila de espera por uma cirurgia como esta pelo SUS… bem… tic-tac… tic… tac… … … … tic… … … … … … … tac(…). Tive que aprender a conviver com minha “surdez-canhota-progressiva” por looooongos anos… Até chegar aqui!

Bastou um (isso mesmo! UM ÚNICO) telefonema para marcar uma consulta com nossa “médica de família”. Ela me examinou e encaminhou minha ficha para um otorrino que me ligou alguns dias depois (isso mesmo! o médico me ligou) agendando uma consulta. Dali até o dia da cirurgia, foram pouco mais de 2 meses… Nesse meio-tempo, foi um tal de gente me ligando para marcar exame de audiometria, exames cardíacos, amostra de sangue e afins… O número do meu telefone ficou famoso no meio médico-quebequense nessa época! Todo mundo me ligava(kkkkkkk)…

Lembrando que tudo o que eu fiz foi APENAS UM TELEFONEMA para a nossa médica de família! Bastou um único telefonema e minha surdez de 15 (ou mais) anos acabou em três meses(ou menos)!!!

Um ano depois da cirurgia, eu, deitado na minha cama, escuto feliz o tic-tac do relógio lá na sala, a gotinha pingando do chuveiro, o vento, o corvo e até o “nhique-nhique” da falta de lubrificação do pedal de bumbo do John Bonham na versão de estúdio de “Since I’ve been loving you“! Estribo biônico 100%!!!

Quanto eu paguei por este “tratamento vip”? Nada mais que os impostos que todo mundo paga por aqui!

E é por essas (e outras) que eu tenho certeza de que tomei a decisão certa ao vir para cá e que, infelizmente, bate cada vez mais forte uma preguiça danada de voltar lá em cima e corrigir aquele b minúsculo no nome do país onde eu nasci…
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Sobre Les Brazucois

:: Fabricio & Nilian . Aventuras e desventuras desses dois imigrantes em Québec, Canadá ::
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7 respostas para 1 ano de estribo biônico

  1. Arnaldo Silva disse:

    Acompanho vocês a muito tempo e chegamos no Quebec aproximadamente no mesmo ano (2014) e a gente mora em Montreal.
    As experiencias que tivemos em Montreal foram das piores possiveis. Tempo de espera para atendimento por volta de 6 a 8h, inclusive quando minha filha de 2 anos quebrou o braço. E so conseguimos médico de família numa clinica que pra tudo cobra(va) as tais “frais accessoires”, e agora nao faz quase nada a nao ser nos atendender em menos de 5 minutos, não importa qual o problema.
    Talvez esse seja um dos problemas de Montreal.
    Obrigado por compartilhar sua experiencia! 🙂

    • Les Brazucois disse:

      Olá, Arnaldo. Temos uma teoria de que quanto mais populosa a cidade, maior a probalididade de pipocarem alguns problemas, dentre eles a “falha” na saúde pública.
      A gente mora em Charny, um distrito da cidade de Lévis com certa de 10 mil habitantes. Não é paraíso. Longe disso. Mas tivemos sorte no quesito saúde, pelo menos por enquanto.
      Valeu pelo seu comentário.
      Boa sorte na jornada migratória, meu caro!

      • Arnaldo Silva disse:

        Lembrei do seu poste, mas ainda não sei o que vai acontecer.
        Peguei uma otite media aguda e ja estou ha 2 semanas sem ouvir nada do lado afetado. A otite foi bacteriana, tive o timpano rompido pela pressão da infecção, e agora estou indo no ORL indicado pela médica de família. O seu poste me da esperança de voltar a ouvir pq agora so escuto um zumbido e minha pulsação.

  2. Les Lapins disse:

    kkkkk, ‘outra torcida’ foi sacanagem!
    alias, sacanagem (e fascinante!) é um ossinho desse tamainho ser tao importante.
    Quanto ao sistema, well. well, o sistema… as vezes novela, as vezes filme de ficçao cientifica…
    ainda bem que para tudo ha o yin e o yang, nénon?
    E qq que seja o resultado da experiencia, realmente o Q e o C ficam sempre mais maiusculos que o b!!

    Bjos seus lindos!!
    Erika

  3. OI FABRÍCIO,

    oops, não preciso gritar né? Muito legal o seu relato. É incrível como as experiências com o sistema de saúde aqui são assim excelentes, como a sua, ou bem ruins como já ouvi de alguns outros colegas.

    Eu tenho a impressão que depende do profissional/clínica/hospital que te atende. Acho que tem muito profissional picareta. E a solução nesse caso é fácil, ir a outro lugar. Eu mesmo já troquei o meu médico de família porque ele era nulo.

    Pelo visto vocês pegaram um médico de família que é sabe o que faz!

    A+

    Sandro

    • Les Brazucois disse:

      Isso mesmo, Sandro. A saúde por aqui é meio jogo de sorte. Por enquanto tá fluindo bem pro nosso lado. Infelizmente, conhecemos alguns imigrantes que não tiveram a mesma sorte por aqui e até moveram ação na justiça contra um médico quebeca. Picaretagem tem em qualquer lugar.

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