N e o reino distante

Atenção: essa é uma obra de ficção. Qualquer semelhança com pessoas ou fatos reais é mera coincidência!

 

Era uma vez uma linda vassala que se chamava N. Sua vila feudal fora marcada por histórias tirânicas e corruptas. N se cansou da vassalagem exploratória e se jogou no mundo. Ela queria a chance de reconstruir sua vida num lugar especial e se tornou uma estrangeira errante num reino distante, cuja suserania era justa e exigente. No entanto, N não falava muito bem o dialeto daquele reino. Ela queria fazer e vender pães e pediu ajuda ao suserano. Ele a atendeu prontamente, dizendo que seria necessário estudar, mas que ele poderia custear o curso, uma vez que o reino distante precisava de padeiros. N decidiu, então, entrar para a escola de panificação & confeitaria e recebia, todos os meses, mil  moedas de ouro. N sabia que, ao final do curso, devolveria parte das moedas ao reino distante. Fazia parte do contrato. O verão chegou e com ele o período de vacação. N arreou o cavalo, cavalgou até o porto, comprou dez garrafas de rum pois passaria os próximos sete dias numa caravela rumo à sua vila feudal. Ela precisava ver sua mãe-de-leite e seus amigos de taverna. Depois de uma lunação, N retornou ao reino distante. Com a escola fechada por mais um mês, N se viu diante do ócio e decidiu sair à procura de trabalho temporário. Não conseguiu. O período de contratação terminara há semanas. N ficou frustrada, entrou na taverna mais próxima, pediu uma dose dupla de rum e viu um panfleto na parede “Precisa-se de mão de obra para colheita de milho”. Desistiu do rum, pois cavalgaria até a fazenda do milharal. Dois dedos de prosa com o fazendeiro, N conseguiu o emprego. Começaria em uma semana. Todavia, algo começou a perturbá-la. O fazendeiro não solicitou qualquer documento de N e o salário seria pago por debaixo da mesa. Assim, fazendeiro e N não pagariam qualquer alcavala para o suserano. E se o suserano descobrisse? Adeus escola, adeus pães, adeus moedas de ouro, adeus reino distante. Se N desistiu de sua vila feudal justamente por não concordar com esse tipo de deslize, nem deveria ter aceitado o emprego, ora bolas! Pois é… Ela só caiu na real alguns dias depois. Arreou o cavalo, seguiu até o milharal, pediu desculpas ao fazendeiro e desistiu do emprego. O fazendeiro entendeu e seguiu sua vida anormalmente. N agora espera o retorno às aulas, um pouco envergonhada por aceitar o emprego logo de cara e um pouco surpresa por descobrir que até no reino distante sempre tem alguém debaixo da mesa. Ela só quer viver honestamente e tomar seu rum tranquilamente com sua mente.

FIM

Anúncios

Sobre Les Brazucois

:: Fabricio & Nilian . Aventuras e desventuras desses dois imigrantes em Québec, Canadá ::
Esse post foi publicado em Voilà. Bookmark o link permanente.

3 respostas para N e o reino distante

  1. Romulo Leitao disse:

    ahaha ficou muito bom =]

  2. Rose disse:

    Adorei a sua história rssss. 🙂
    Abs

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s