Outro doido no Cégep

Salut mes amis.

Desculpem. Prometi voltar antes de terminar 2015. Eita! Nem darei muita explicação. Acho que esse trem de promessa não é comigo, ainda mais em blogue, né? Enfim, prometo não prometer mais nada 😀

Vamos direto ao assunto. Eu já tinha mencionado que o Fabricio também resolveu voltar aos estudos. Então, este post será sobre o caminho que ele percorreu até se matricular no Cégep Garneau e no Cégep de Sainte-Foy.

Pra quem não sabe, ele é profissional de TI formado em processamento de dados, com especialização em tecnologia e projetos de redes de computadores e com larga experiência em suporte. Quando chegamos, em maio de 2014, ele tinha (e tem) um nível de Francês anos luz na minha frente, sem falar na proficiência do Inglês. Mas isso, por incrível que pareça, não foi suficiente para ele encontrar um emprego na área pelo simples fato de que ele não é programador. É bom lembrar que isso foi a experiência do Fabricio. Talvez com outros brasileiros tenha sido diferente, já que a área de TI é a famosa menina dos olhos da imigração. Infelizmente, essa menina não deu muita bola para esse rapaz de suporte.

Depois de algumas entrevistas sem sucesso, ele resolveu postular para outras áreas e acabou conseguindo um contrato temporário em uma indústria farmacêutica para trabalhar na produção de vacinas. Encarou o desafio e ficou por lá até vencer seu contrato. Aprendeu muito, tirou grandes lições dessa primeira experiência de trabalho no Québec, fez algumas amizades que duram até hoje e ganhou seus primeiros dólares canadenses. Afinal, dinheiro não é tudo, mas sempre será 100%.

Depois Fabricio fez um curso de AutoCAD 2D e 3D no Centre R.I.R.E 2000 para dar um up no currículo e se atualizar. Essa experiência fez com que ele refletisse bastante até chegar à conclusão de que precisava se atualizar mais, pois uma formação profissional em terras quebecas abre muitas portas. Partiu, então, para os trâmites de admissão no Cégep, ou seja, blábláblá para providenciar documentação, pagar taxa e fazer TFI (Test de français international). E isso não foi problema. O danado do rapaz é bom no Francês mesmo e tirou um notão. Aproveitou e se matriculou no Cégep Garneau e no Cégep Sainte-Foy, ambos para o curso Techniques de l’informatique com foco em programação. Já foi aceito para a sessão de inverno do Garneau que começa daqui a duas semanas. O de Sainte-Foy ainda não deu a resposta.

Eu particularmente estou adorando a ideia de estudar no mesmo Cégep com esse rapaz. Não vou me sentir tão deslocada mais. Vou até dar em cima dele…

Voltando ao papo sério, mais uma vez reforço que esta decisão de retornar aos estudos e optar por um Cégep é pessoal e intransferível. Cada brasileiro que chega aqui sabe de suas facilidades, dificuldades, mazelas e conquistas. Cada um vai (re)escrevendo sua história. Talvez o melhor pro Fabricio não seja o melhor pra você. Antes de tomar qualquer decisão, a gente pensa e repensa muito e jamais tem certeza de nada. Ansiedade e insônia aparecem com frequência aqui em casa. O fator grana pesa muito também. Por isso, economizar é o lema do brasão de nossa humilde família a dois.

E por mais duro que seja, eu faria essa loucura toda de imigração novamente, ainda mais com um doido, tão parecido comigo, ao meu lado. A gente passa nossos perrengues, mas sobrevivemos até aqui, 18 meses depois de pisar em solo canadense. Talvez porque, a cada dia que passa, descobrimos juntos que imigração é prova de coragem, desapego e aprendizado com doses sutis de incerteza.

E que venha incerto este Ano Novo! Nós é que vamos surpreender 2016!

Boa sorte a todos e Coragem!

Bises

Nada como uma caminhada na neve para refrescar as ideias :D

Nada como uma caminhada na neve para refrescar as ideias 😀

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Sobre Les Brazucois

:: Fabricio & Nilian . Aventuras e desventuras desses dois imigrantes em Québec, Canadá ::
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4 respostas para Outro doido no Cégep

  1. Erika disse:

    Husband também é de TI e nao é (mais) programador, foi do mesmo jeito, um perrengue no começco para arrumar trabalho, bem diferente da estoria de que “TI é garantido”.
    Apos 9 meses de francisaçcao foram mais 6 para arrumar emprego, assim mesmo pq teve aquela ajuda do governo para o empregador para ajudar a pagar metade do salario do empregado. Era um salario mixuruca (bem diferente da estoria que TI é o milionario dos imigrantes!), mas era um primeiro emprego na area, uma grande conquista, ficamos mutios felizes quando veio.
    Mas depois, para melhorar de vida, ele teve mesmo que ir pro banco da escola também. Se o Fabricio é bao na lingua, acho entao tem tudo pra dar certo 🙂

    Bjinz e boa sorte, curta bem o aluno novo, hehehe…

    Erika

    • les Brazucois disse:

      Legal e importante saber disso, Erika. Não deixa de ser um incentivo pra nós saber que o caminho é mais ou menos parecido para muitos e que nossas decisões e escolhas não estão tão absurdas assim…rs! Abração e Feliz Ano Novo!

  2. Doug disse:

    Nilian, se tem uma coisa que acho que todo mundo aprende quando imigra é que não existe “caminho certo”, muito menos “caminho certo pra geral”. A gente toma as próprias decisões e vai construindo e improvisando no caminho, conforme a vida vai mandando o estoque de oportunidades e armadilhas. Eu comecei pensando em vir e procurar trabalho direto, depois pensei em fazer cursos de idiomas pra ganhar segurança, agora já tô querendo fazer outra facul… cada pessoa sabe de si. Fico feliz que o Fabrício já tenha sido aceito e estou torcendo pra coisas caminharem cada vez melhores pra vocês! 🙂

    Abraço!

    • les Brazucois disse:

      Oi, Doug… E quando a gente pensa que tá no caminho, a vida te desvia dele. Fabricio teve que “trancar” a matrícula no cégep devido a uma cirurgia que ele fez ontem e precisará de repouso absoluto por um mês. Correu tudo bem. Ele está ótimo, mas um pouco frustrado de ter que esperar até a próximo sessão. Como eu vivo dizendo: “O que é um peido pra quem está cagado?”. Não adianta lamentar. Bola pra frente! O que importa é que ele está bem. Um pouco mal humorado, mas bem…rs! E segue o samba… Abração!

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