Minha vida de estudante no cégep

Salut mes amis,

Estou curtindo férias. Vê se pode… Mal entrei no cégep e já ganhei uma semaninha de folga sem aulas. É a famosa semaine de relâche. Mas quem disse que estou relaxando? Antes destes nove dias de folga, os professores passam alguns tantos trabalhos e deveres pra fazer. Não tem moleza!

De qualquer forma, tô aproveitando e, claro, vim aqui atualizar o bloguinho.

Minha vida estudantil caminha bem. Tem sido tranquilo até agora. Estou fazendo somente quatro matérias:

Pratique du Français, langue d’enseignement, pour les élèves – Esta, sem dúvida, é a mais puxada. Gramática na jugular, muita interpretação de textos, muitos livros pra ler, exercícios pra fazer e trabalhos pra apresentar em sala. A professora é uma dama. Além da grade regular, também participo de aulas de reforço uma vez por semana no famoso Centre d’aide en français (CAF) Cégep Garneau.

Projet réussite – Esta se assemelha muito às aulas de metodologia científica onde aprendemos a redigir um bom trabalho, respeitando aquelas regrinhas básicas de citações, referências bibliográficas e etc. Sei que muitos acham um saco, mas eu particularmente adoro. A professora tem uma didática fantástica. Gosto muito das aulas dela.

Anglais de base I – Moro em um país bilingue, né? Inglês por aqui é obrigatório na grade curricular. Fiz um teste de nivelamento e o professor queria me colocar em uma turma mais avançada, mas pedi pra ficar no base I, pois meu inglês estava adormecido. E olha… foi a melhor coisa que fiz, pois passo uns perrengues nas aulas, viu! O professor fala em inglês o tempo todo. Tem dia que fico maluquinha, pois tenho aula de inglês a manhã inteira e depois francês a tarde inteira.

Autodéfense (defesa pessoal) – Educação física também é disciplina obrigatória no cégep e eu era daquelas que, nos tempos de ginásio, arrumava atestado médico só pra não ficar correndo feito idiota em volta da quadra. Odiava educação física! Mas aqui não tenho atestado e tive que encarar. Ainda bem. Como dizia Camões: “Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades”. Eu me encontrei nas aulas de defesa pessoal. Gostei tanto que pretendo continuar depois de terminar o cégep. O professor é suuuuuper exigente, chega a ser grosso e ríspido, mas as aulas são sensacionais e tenho aprendido muito com ele. E somos avaliados também com prova escrita e prática.

Uma das coisas que mais me chamou atenção aqui foi a aproximação com os professores, pelo menos os que estou tendo contato. Até agora, percebi que eles são acessíveis e te ajudam. Marcam encontros individuais para conversar com o aluno, saber das dificuldades e sugerir alternativas.

Hora do parênteses! (Desculpem, mas a minha experiência como estudante no Brasil sempre me mostrou que muitos professores universitários são deuses greco-romanos que odeiam pobres mortais. O meio acadêmico em terras tupiniquins é podre, panela pura. Espero que tenha mudando)

O lado negativo do cégep, pelo menos pra mim, é o adolescente. Óbvio  que não são todos. Eu tenho coleguinhas adolescentes que são muito queridas. Mas tem uma grande parcela que é cruel e adora um bullying. É exatamente igual aos filmes da Sessão da Tarde. Lembram de A garota de rosa shocking, Namorada de aluguel, Carrie, a estranha ? Tem a ala da rainha do baile, a ala dos garotões bonitões, a ala dos nerds e a ala dos tímidos excluídos. E o negócio é sério, pois tem muito adolescente que não aguenta a pressão e se mata. Por essas e outras tem altas campanhas, como essa aqui. Além disso, assim que começaram as aulas em agosto deste ano, o cantor famosinho Lenni-Kim escreveu nova canção e juntamene com o ator Antoine Olivier Pilon lançaram um vídeo, chocante pra mim, que faz parte da campanha de prevenção ao suicídio.

Quanto a nós forasteiros, acredito que estamos imunes à crueldade dos ados québécas de cégep. Os meus colegas da turma de francês, por exemplo, são todos imigrantes como eu. E nós estamos mesmo é engajados e interessados nas aulas, querendo dar um rumo profissional para as nossas vidas o quanto antes. Fazemos parte, na verdade, da ala da bateria, pois além de cagar e andar, queremos é sambar na cara dessa parcela escrota da adolescência.

E segue o samba…

 

Porque poesia faz bem.

Porque poesia faz bem.

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Sobre Les Brazucois

:: Fabricio & Nilian . Aventuras e desventuras desses dois imigrantes em Québec, Canadá ::
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6 respostas para Minha vida de estudante no cégep

  1. Ana disse:

    Força na peruca! Para ser sincera, nao fui pro Cegep porque de “aborrecente” ja basta meu filho, nao tenho muita paciencia para ter aulas com eles nao. rsrs
    Esse negocio de suicidio, na Laval tem muitas campanhas tb, nessa época de setembro a novembro, dizem que acontece muito la nos dormitorios, uma colega mexicana que morou um ano la, falou que foram 3 mortes na ala que ela estava.
    Quanto aos profs daqui, realmente eles sao super acessiveis mesmo, no Brasil era bem raro, na USP entao, aff!
    Mas vamo-que-vamo correr atras do que é nosso. Bonne chance!

    • les Brazucois disse:

      Minha peruca tá colada com super bonder, Ana. rsrs De vez em quando bate um desânimo, mas tem acontecido com menos frequencia…rs! Significa que tô me acostumando com o ritmo daqui. Afinal, quero o meu lugar ao sol québécois…
      Bonne chance à toi aussi.
      Abração.

  2. Doug disse:

    Que bom que está curtindo o CÉGEP, Nilian!! Fico feliz mesmo! 😀

    Essa da “semana do relaxo” me pegou de surpresa. Eu, que nunca tive nem “semana do saco cheio” no Brasil, vim experimentar isso aqui. No meu caso, pelo curso que estou fazendo, preferiria ter aula, mas entendo que alunos de graduação e pós devam dar graças aos céus por essa semaninha…

    Olha, se tem uma coisa que às vezes me faz desanimar da vontade de voltar para a universidade é pensar em ter que conviver com a galera novinha que ainda acha que o mundo gira em torno deles. Fico imaginando se eu aguentaria ter que fazer trabalho em grupo com a molecada de 20 anos (e sempre acabo me dando conta que trabalho em grupo provavelmente é a razão pela qual o Batman prefere trabalhar sozinho), mas fazer o que, né? Como você disse em outro lugar, somos nós que estamos meio que “invadindo” uma praia que é tradicionalmente deles. Então, a gente pode até não dançar ao som da música, mas acaba sendo obrigado a ouvi-la.

    Bons estudos e vamos em frente!

    • les Brazucois disse:

      Pois é, Doug…
      Esta foi a nossa escolha. Quando paro pra pensar em todos os perrengues que passamos pra pegar o visto e chegar aqui, encarar um cégep com meia dúzia de boca-aberta é mamão-com-açúcar.
      O caminho é longo, mas essa oportunidade é de ouro, não é mesmo?!
      Saudações a quem tem coragem!
      Abraço.

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