Cégep, concurso e voluntariado no meio do meu redemoinho

Salut mes amis.

O verão se foi. Mesmo com muitos dias chuvosos, ele cumpriu bem o seu papel e agora tá na hora do outono dar o ar fresquinho da sua graça. E que graça! Quem vive pelas bandas de cá sabe bem do que estou falando. E, acredito eu, concorda plenamente com a belezura, a exuberância e a poesia desta estação. Está aberta a temporada do barulhinho das folhas secas!

Sobrevivi ao primeiro mês de aula no cégep. Podem me dar uma estrelinha! 😀 Mas, contudo, porém, todavia… não tem sido uma tarefa fácil. Pra falar a verdade, em relação ao conteúdo, às matérias e aos trabalhos, até que tô indo bem, conseguindo acompanhar as explicações dos professores. O que me perturba o juízo, vez ou outra, é uma inquietação por querer estar, na verdade, sentada numa cadeira do mercado de trabalho recebendo meu salário e não de um curso profissionalizante me endividando no prêts et bourses. Aliado a isso, já passei da fase dos 17 aninhos há tempos e acho meio sacal ter que estudar com alguns adolescentes que não querem nada com a dureza e só atrapalham as aulas. Sério! Descobri que não tenho paciência para alguns excessos de juventude, mas seguro as ondas pois é o momento deles e sou eu quem está fora do contexto. Rezo pro James Dean todas as noites! E seguirei firme e forte nesse caminho até que apareça algo melhor.

Por conta desse repente, acabei me inscrevendo num concurso público do Revenu Québec, fui selecionada, mas reprovada na avaliação escrita. A partir daí, tenho acompanhado as ofertas de concursos nos setores federal, provincial e municipal (Québec e Lévis), além das comissões escolares de ambas cidades. E se eu encontrar alguma vaga que se encaixe com meu perfil tão loucamente complexo, não vou pestanejar e claro vou postular com a cara e a coragem.

E no meio desse redemoinho particular, continuo meu voluntariado na escola primária aqui pertinho de casa. Uma vez por semana, trabalho na biblioteca classificando os livros, encapando romances e HQs, lançando retorno/empréstimo no sistema e ajudando os alunos a encontrar uma aventura. É o trabalho dos sonhos. Amo de paixão! Pena que não é remunerado. No entanto, meu francês agradece.

E assim vou levando minha vida em terras quebequenses sem ter certeza de nada, vivendo tudo intensamente, rezando pro padroeiro da juventude transviada manter meu coração aberto e minha mente calma e, óbvio, amando cada segundo dessa experiência de ouro que é a imigração. Amém, James Dean!

Outono à vista

Outono à vista

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Sobre Les Brazucois

:: Fabricio & Nilian . Aventuras e desventuras desses dois imigrantes em Québec, Canadá ::
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5 respostas para Cégep, concurso e voluntariado no meio do meu redemoinho

  1. Alli disse:

    Salut! O blog de vocês foi o primeiro blog de imigração que eu li (e só depois dele descobri o galera do processo e tantos outros), no começo deste ano, quando a ideia de ir embora daqui começava a tomar forma. Acho que me identifiquei com algumas coisas, em especial o seu “desespero” de não dominar o francês escrito tão bem como o português escrito (eu também fiz faculdade de Jornalismo e de Letras). E eu ainda estou bem longe de imigrar.
    Fiquei feliz com o seu post de hoje porque também acho que precisarei voltar a estudar quando chegar aí (o que mais eu poderia fazer quando minha formação acadêmica e experiência profissional não têm nada a ver uma com a outra?) e andei pesquisando sobre o Cégep, mas, por Deus, como é difícil encontrar a informação exata… Tipo, existe algum tipo de vestibular pra ingressar? Eles tem vagas limitadas, não têm? Então deve ter algum tipo de prioridade… E onde afinal eu consigo ver o preço e a duração dos cursos? Já perdi horas e mais horas caçando isso tudo na internet e até agora não consegui entender, por exemplo, se vale mais a pena ter um certificado universitário de um ano ou fazer um ano de Cégep. Bom, mas eu não entrei pra perguntar nada não, só queria registrar que gosto muito do que e de como vocês escrevem (e por mais que eu acabe lendo tudo o que encontro sobre imigração, são poucos os blogs que eu aguardo ansiosamente pelos próximos posts).Au revoir, Aline.

    • les Brazucois disse:

      Oi, Aline! Bem-vinda ao bloguinho e mais ainda à maluquice dessa tal imigração.
      Você pode perguntar o que quiser por aqui. Terei maior prazer em ajudar e vou responder as questões que levantou aqui no comentário:

      1) Existe algum tipo de vestibular pra ingressar? Depende do seu nível de francês, ma belle. Por isso, para os não-francófonos, como nós, é necessário fazer o TFI (Teste de Francês Internacional). Este é o vestibular.

      2) Eles tem vagas limitadas, não têm? Sim. Eles tem vagas limitadas.

      3) Então deve ter algum tipo de prioridade… Depende. Se vc, que tem duas formações na área de humanas resolver fazer um curso na área de saúde, seu dossier será analisado baseado nas notas (física, química, biologia, matemática) que vc tem láááááááá do ensino médio.

      4) E onde afinal eu consigo ver o preço e a duração dos cursos? Depende do seu estatuto, do curso e do lugar onde vai estudar. Se vc optar por um Cégep, por exemplo, você deve se inscrever na “Secretaria de educação” daqui que se chama Service régional d’admission au collégial de Québec (SRACQ) https://www.sracq.qc.ca/dossier/Index.aspx
      Quanto ao preço, paguei 264 dólares por TODA a sessão (que vai até dia 18 de dezembro, é o nosso famoso semestre) e cerca de 200 dólares de material (livros + xerox). Paguei este valor porque sou Residente permanente.

      5) Vale mais a pena ter um certificado universitário de um ano ou fazer um ano de Cégep? Mais uma vez DEPENDE. No meu caso, por exemplo, achei mais conveniente um cégep uma vez que a Província de Québec valoriza mais os cursos técnicos ao invés das graduações ou pós. É uma parada meio maluca que vc só vai entender estando aqui.

      Se quiser trocar uma idéia via Skype, me adiciona: nilian.correa . Domingão é um ótimo dia pra jogar conversa fora. 😀

      Abraço fraterno e Boa sorte!
      Nilian

  2. Lua Virada disse:

    Nilian, mesmo que por vezes bata aquela sensação de que você preferia estar trabalhando do que estar estudando com pirralhos, tente ver isso como seu recomeço. Imigrar é nascer velha em outro lugar, então essas fases todas são necessárias para o nosso crescimento no novo solo. 😉 Sim, eu sei que é muito mais fácil falar do que fazer, mas eu tinha que comentar, hehehe… Cada fase tem sua beleza, não é mesmo?

    Boa sorte com as vagas de emprego, espero que role o mais rápido possível!
    Beijos

    • les Brazucois disse:

      Obrigada pela força, Lídia. Gostei muito de sua observação “Imigrar é nascer velha em outro lugar, então essas fases todas são necessárias para o nosso crescimento no novo solo”. E vc tá certa mesmo. Eu preciso aproveitar essas fases e não ficar choramingando e achando isso ou aquilo. Uma vez que determinei meu caminho aqui (que já não é fácil), tenho mais é que seguir em frente. Obrigada pela sutileza… Beijos!

      • Lua Virada disse:

        Ah, a gente tem o direito de reclamar sim, eu sou super reclamona, mas sei lá, sempre tem que vir alguém nos lembrar de ver o lado positivo, hehehe! Dessa vez fui eu, da próxima quem sabe será você… 😉
        Beijo grande! ❤

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