Botas batidas. E aí?!

Por Fabricio

A morte de um jovem casal de imigrantes colombianos que morava aqui em Québec me fez pensar muito, de ontem para hoje, sobre o fim que damos aos nossos corpos... Explico!

A tragédia desta jovem família que estudou francês com a Nilian (ele com 29 anos, ela com 30 e grávida de 8 meses, infelizmente morreram num acidente de carro, causado por uma motorista bêbada de 27 anos) está fazendo a comunidade colombiana daqui de Québec se mobilizar para angariar fundos e trazer os parentes das vitimas para buscarem os corpos de seus entes queridos (entenda-se por burocracias, traduções juramentadas de documentos, taxas de cartório, taxas de consulado, taxas de conservação dos corpos durante este tempo, taxas de funerária, taxas de empresa aérea e toda sorte de taxas e entraves que não consigo imaginar neste momento, mas que existem e devem ser feitas, pagas e respeitadas a risca num país como o Canadá).

Isso tudo para buscar pessoas mortas para que sejam enterradas em sua terra natal…

Respeito profundamente a dor dos parentes e amigos (meu coração está com vocês), mas, pensando friamente, o que vai adiantar levá-los de volta? Além do sofrimento da perda, um gasto extremamente alto e um enorme stress por conta da burocracia que envolve todo o processo. Cada um é cada um! Respeito isso!

Mas quando EU morrer, quero ficar onde eu estiver naquele momento! Se puderem doar algum órgão, doem e depois desovem o que sobrar em algum canto mais próximo DE ONDE EU ESTIVER NAQUELE MOMENTO! Não quero deixar gastos com traslado, funeral e afins de presente para quem eu gosto quando eu bater as botas…

Ou me cremem! Aqui na gringa, a cremação não é o luxo que é no brasil… Taca fogo nesta sacola de carne reciclável que vos escreve e joga de volta pra natureza!

Se bem que, ao longo dos anos, acumulei tanto chumbo, mercúrio, cortisona, acido acetilsalicílico, agrotóxicos e maldades maléficas dos alimentos transgênicos e todos aqueles hormônios do tender de natal da sadia e dos espetinhos de frango da pif paf… Se bobear, vou acabar é dando uma azia pra Terra.

Enfim!!! Só não quero voltar para Ubá!!! Nem morto!!!

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Sobre Les Brazucois

:: Fabricio & Nilian . Aventuras e desventuras desses dois imigrantes em Québec, Canadá ::
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4 respostas para Botas batidas. E aí?!

  1. Les Lapins disse:

    Da notavel capacidade de dar leveza a um assunto tao pesado… 😉

    #morri de pensar na Terra com azia, e nem da para falar de jogar no mar para alimentar alimentar os peixinhos pq que eles ja tao cheios de microplasticos, tadinhos. Mas penso como vocë, deixa a carcaça no crematorio mais proximo! Inclusive a coisa serve para transito de mortos mas tambem de vivos: ja avisei todo mundo que quero que venham me ver enquanto to viva, nao precisa mexer nem um dedo mindinho no dia que checar ‘noticia ruim’ nao! É pra vir tomar café comigo, e nao café no meu funeral (como fazem aqui na gringa, tai um item que #naovoumeadaptar).

    Mas espero que nossas botinas ainda nos leve para muitos passeios!

    bjinz
    Erika

  2. Ana disse:

    Aff, que tragédia! Fiquei chocada. Preciso fazer meu testamento, nunca se sabe, né? Vou doar meu corpo para uma faculdade de medicina, ja sou doadora de orgaos, mas nao quero voltar pro Brasil tb nao.

    • les Brazucois disse:

      Putz, Ana! Esta tragédia mexeu demais com a gente, viu… Ainda estou digerindo a última semana, uma das piores em solo canadense. Enfim, bora pra frente.
      Beijos,
      Nilian

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