Depois da francisation: uma decisão, mas nada definido

Salut mes amis!

Pra quem ainda não sabe, meu marido e eu chegamos em Ville de Québec no dia 30 de maio de 2014. No primeiro mês ficamos na casa de minha irmã. Depois de toda burocracia, como tirar os principais documentos e blá blá blá, alugamos um apê em Charny, uma pacata cidadezinha que agora se tornou um bairro de Lévis.

Até então, vivíamos com as economias brazucas que desaparecem numa rapidez impressionante e assustadora…rs!

No final de agosto, Fabricio e eu iniciamos a famosa Francisation em tempo integral na Université Laval. Eu caí no nível 2 e Fabricio no 3. Tínhamos uma bolsa de cerca de $ 450 dólares por mês cada um. Em novembro, Fabricio terminou o curso e eu passei para o nível 3, ou seja, a ajuda de custo caiu pela metade.

De repente era Natal e 2015 chegou chegando.

No dia 4 de fevereiro dei adeus à Francisation e, depois de muuuuita pesquisa, decidi um rumo.

Abre parênteses: Sou formada em Letras e Comunicação social, ou seja, nada! Isso mesmo. Essas duas formações não são nada pra quem tem um nível de francês como o meu. Fecha parênteses.

Durante todo o curso na Laval, aproveitei pra fazer uma pesquisa intensa de algumas áreas, observando o mercado de trabalho, a formação e, obviamente, a satisfação pessoal. Foi uma decisão difícil, bem parecida com a pressão do vestibular.

Comecei enchendo os olhos para um mestrado nas áreas de Relações públicas ou Administração, mas caí na real de que não tenho pique acadêmico para tanto conteúdo assim. Por aqui, o bom mesmo é ser rápido, prático e técnico. Logo em seguida, mirei no universo de Éducatrice de la petite enfance pensando em aproveitar a experiência da faculdade de Letras, mas acabei deixando no stand-by. Em seguida, caí no métier de bureautique como secrétariat ou adjointe administrative, mas a insegurança do francês somada a um pequeno trauma em terras tupiniquins me fizeram pular novamente. Por fim, desemboquei no Archivistique e, graças aos esclarecimentos e incentivo da Ana, estou muito inclinada em encarar o certificado na Laval que começa em setembro deste ano.

Setembro? Mas está muito longe ainda. O quê fazer até lá? Duas coisas:

Estudar! Tenho que ser aceita na Laval. Para tanto, preciso apresentar meus diplomas juntamente com o resultado do famoso TFI que deve ser igual ou superior a 680. A prova será em breve. Desta feita, estudar é meu lema!

Trabalhar! Dinheiro não é tudo, mas é 100%. O meu anda escasso. Enquanto não tem nada definido, pois preciso “passar no vestibular novamente”, e enquanto setembro não chega, estou em busca de um emploi alimentaire. Tenho um em vista, mas prefiro manter o suspense até que se concretize.

Fabricio, um analista de sistemas com experiência em suporte, merece um post à parte. O que posso adiantar é que ele passou por duas entrevistas e não tem nada definido. Atualmente, está cursando a última turma do famoso français écrit, que não tem bolsa. Digo última turma porque o Ministério da Imigração reformulou todo o curso de Francisation. Parece que o français écrit vai se transformar em nível 4. Mas, pra variar, não tem nada definido.

Bem, o nosso balanço até aqui, quase nove meses depois, é positivo e operante. Mesmo com essa sensação de não saber ao certo o que fazer no âmbito profissional, mesmo vendo nossas reservas diminuírem, mesmo passando sem sucesso por entrevistas de emprego, mesmo com dificuldades no francês, nós faríamos tudo de novo… e de novo… e de novo.

Acredito que a maior lição até agora em terras quebequenses é que na vida não se tem nada definido. E isso é ótimo, pois te impulsiona, te ensina a ser corajoso com um toque essencial de humildade.

Volto em breve…

Bises!

Positivo e operante!

Positivo e operante!

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Sobre Les Brazucois

:: Fabricio & Nilian . Aventuras e desventuras desses dois imigrantes em Québec, Canadá ::
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13 respostas para Depois da francisation: uma decisão, mas nada definido

  1. Nuncia disse:

    Com esse toque essencial e especial de humildade a gente vai sendo guiado para o melhor nas nossas vidas! Vc é muito querida e abençoada! ❤

  2. Doug disse:

    Olha, Nilian, não são poucas vezes que me identifico com os teus posts. Eu sou formado em Tradução, e tenho total consciência de que vou ter que suar muito estudando pra poder começar a vida na minha área por aí. E, volta e meia, me pergunto se não vai valer mais a pena redirecionar a carreira, começar algo do zero e ver no que dá… aí traço cenários, panoramas e levanto hipóteses para tentar ter alguma noção de se eu estou fazendo “certo” ou se estou no devaneio total. Chego em março a Montreal, e, apesar da angústia que cai com força de vez em quando, tenho consciência de que só aí mesmo é que vai ser possível saber o que dá pra fazer. E ver que você tem conseguido levar a situação com um misto de preocupação consciente e calma ao explorar as possibilidades me deixa mais confiante 🙂

    Boa sorte!

    • Brazucoise disse:

      Ei, Doug. Você só vai clarear as ideias estando aqui mesmo. Muitos colegas brasileiros que chegaram na mesma época que eu vivem a mesma situação. Redescobrir-se aqui é um processo meio lento. Tudo tem sua hora!
      O que me ajudou, e ajuda, é trocar ideias, pesquisar muito. O mercado de trabalho é metódico sem aquela história de ser multifuncional, como no Brasil. As profissões são respeitadas dentro de seus universos.
      Se você precisar de algum help, conversar, trocar ideia, tirar suas dúvidas, conte conosco! Fabricio e eu teremos maior prazer em ajudá-lo. Meu Skype é nilian.correa e o telefone residencial é 1418 988-9818.
      Venha aberto para um futuro incerto, mas abarrotado de descobertas e muita coisa boa. Tenha certeza disso!
      Abraços,
      Nilian.

      • Doug disse:

        É essa que talvez seja minha maior luta aí: saber esperar as coisas acontecerem, ter paciência. Sem isso, as chances de frustração são grandes!

        Obrigado por se colocarem à disposição para trocar uma ideia! Com certeza, nos falaremos ainda 🙂

        Abraço!

  3. N percam a esperanca, torcendo por vcs!

  4. raquelandr disse:

    Os desafios sao grandes mesmo, mas depois a tranquilidade chega. Eu cheguei aqui com zero de frances pois foi meio tudo de uma hora para outra. Estou aqui a mais de um ano e considero o meu frances falado um cocozinho de galinha T_T, mas mesmo assim ja consegui um emprego. To trabalhando como vendedora de loja de roupa, totalmente nada a ver com o meu metier, que é engenharia, mas é assim mesmo. Um passo apos o outro, ne?

    Espero que tudo continue dando certo para vcs. Abraço

    • Brazucoise disse:

      Oi, Raquel!
      Comecei minha labuta aqui na semana passada. Estou trabalhando como commis de um supermercado aqui pertinho de casa. Olha… tô tomando uma coça dia sim e dia também. Se eu entendo 30% de francês é muito, viu! Passando um aperto retado! E vamo que vamo! Boa sorte na sua jornada também.
      Abraço,
      Nilian.
      P.S. Vi o Eder e a Elida no seu videozinho. Conheço este casal e ADORO eles! O mundo é um ovo, não?! hehehehehe

      • raquelandr disse:

        Nilian, eu estoudei com os dois la em Fortaleza. Vc conhece eles de onde?

      • Brazucoise disse:

        Menina, nós doamos uma impressora WiFi no BrasiQuebec do Facebook. Daí a Elida foi e primeira a se interessar. Eles vieram aqui em Charny buscar e acabamos batendo um papo bom. Depois, fomos prum show de um colega deles. Foi bom demais! Adorei o astral deles.

  5. Nath disse:

    Olá Nilian! Estamos nos preparando para o TCF incansavelmente, no processo de vocês não foi necessário?

    • Brazucoise disse:

      Oi, Nath!
      Quando entramos no processo, em junho de 2011, não era obrigatório apresentar o TFI ou TCF. Nós só apresentamos os certificados e boletins de notas dos cursos de francês que fizemos, além de uma declaração de nossa professora particular de que fizemos x horas de aula.
      De lá pra cá, muita coisa mudou, não é mesmo?!
      Abraços!

      • Nath disse:

        Parece que sim! Cada blog que leio percebo algumas questões, mas, nunca leio nada sobre o TCF!

  6. Pingback: Meu primeiro emprego, alguns apertos e outras novidades | Brazucoise

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