Despedindo das guitarras ):

Olá, pessoal!

A Nilian tem me cobrado muito um post sobre a separação das minhas guitarras que estou tendo que vender por conta da nossa viagem (só de ida, espero) para terras Quebequenses.

A minha relação com as guitarras vai muito além da música que faço com Martiataka, minha banda há mais de 13 anos (isso dá um outro post dolorido também).

Aqui algumas das guitarras que tenho (ou tive):

GuitarrasMTKEu sempre ficava puto da vida com a ideia de entregar meus instrumentos queridos e amados nas mãos de pessoas que se intitulavam “Luthiers” e faziam gambiarras homéricas para resolver pequenos problemas de maus contatos, trastejamentos e afins… E eles cobravam caro por estes pequenos reparos!!! E, como a coleção só aumentava, os custos com essas manutenções preventivas e regulagens aumentava na mesma proporção. Mas eu ficava na mão desses “McGaivers” e suas gambiarras, pois a única coisa que eu sabia sobre guitarras era tocá-las e amá-las cada vez mais.

Até que um belo dia conheci um LUTHIER de verdade! Um cara mais novo que eu e que realmente tinha o dom de fabricar instrumentos maravilhosos. O nome desse cara é Marco Aurélio “Corelio” Rosa. Desde então, o Corelio tem sido, além de um grande amigo, o responsável pela manutenção nas minhas guitarras.

Mas, curioso que sempre fui, ao invés de simplesmente deixar as guitarras na oficina do Corelio para que ele as regulasse, eu comecei a ficar lá quando tinha um tempo livre. Observei o trabalho que ele fazia com tanta competência. Comecei a aprender, meio que por osmose, um pouquinho deste ofício fantástico que ele faz. E ele viu que eu estava realmente interessado e, generosamente, começou a me explicar como as coisas funcionavam dentro das guitarras. Hoje eu mesmo faço a manutenção preventiva nas minha guitarras e nas de amigos.

À medida que minha coleção aumentava, a gente ia observando as características de cada instrumento e entendendo porque as marcas famosas (como Fender, Gibson, Gretsch, etc) tinham uma qualidade tão superior de som, acabamento e tocabilidade. Foi aí que tive a ideia de montar uma guitarra com a ajuda do mestre Corelio. Uma guitarra desenhada por mim, com as características que eu achava mais bacanas nas outras “guitarras de grife” que eu tinha. Ela seria “A GUITARRA”! Demorou, mas ela ficou pronta… Madeiras especiais, peças especiais, sons especiais… ela faz som até de violão elétrico!!!

E eu a batizei com um nome especial: “Santini” em homenagem ao meu saudoso pai, conhecido como Santinho Barreto.

santini1A guitarra ficou tão boa que eu comecei a me desfazer de algumas guitarras de grife que eu tinha pois eu conseguia tirar o som de todas elas só com a Santini. Realmente tinha algo especial ali!!! Aquela guitarra foi o embrião do que viria a ser a  Relic Custom Shop.

A minha relação com as minhas guitarras ficou cada vez mais “íntima”… Eu conhecia cada uma por dentro e por fora!!!

Ao invés de continuar comprando guitarras para a minha coleção, eu comecei a importar as peças (braços, corpos, captadores, tarraxas, etc) e a gente começou a montar guitarras cada vez mais bacanas e com qualidade que não ficava nem um pouco atrás das “guitarras de grife”.

No início, as guitarras eram montadas pra mim, para a minha coleção, mas as pessoas começaram a nos fazer encomendas e, quando a gente viu, já tínhamos montado mais de 20 projetos dos mais variados! As pessoas encomendavam projetos malucos, que outros luthiers se recusavam a montar e aí começaram a surgir as guitarras “Relic” (guitarras 100% novas, mas com cara de antigas, arranhadas e desgastadas pelo tempo). Essa virou nossa especialidade. A gente montava réplicas das guitarras “raladas” do Stevie Ray Vaughan, Eric Clapton, John Mayer com requintes de crueldade (kkkkkk)!

RELICGUITARSCada guitarra que ficava pronta era como um parto, pois eu me apegava a elas e sentia que estava vendendo uma filha… E é assim q eu tô me sentindo a cada guitarra da minha coleção que vai embora… Mas tem q ser assim!

E, meio que sem querer, esse hobby meu, em parceria com o Corelio se transformou na Relic Custom Shop. Fiz um site meio mequetrefe (www.relicguitar.50webs.com) para mostrar pra galera que tinha instrumento de qualidade no Brasil. Durante um tempo em que fiquei sem emprego (trabalho com TI, assim como muitos brazucas que estão indo lá para o Canadá), foi a Relic quem pagou as minhas contas! Hobby que rende dinheiro??? ÊBA!!!!!!!! E é assim até hoje!

O nome da Relic está começando a crescer aqui no Brasil (justamente na hora em que eu tô indo embora). No entanto, talvez role de continuar com esse hobby lá. Descobri que tem uma curso de luthieria no Cégep de Limoilou.

Quem sabe?!

Não sei se repararam, mas fugi bastante do tema central que é o que eu tenho sentido em relação à venda das guitarras da minha coleção. Cada uma delas tem uma história na minha vida. Através delas compus 100% das minhas músicas e com elas gravei os discos da minha banda.

Não vou alugar um container só para mandar guitarras pro Canadá (só vou levar a Santini). Depois, nem sei se vou conseguir montar uma bandinha lá pra tocar na garagem nos fins-de-semana. A prioridade agora é trabalhar com TI para poder ter uma garagem em Québec (kkkkk)!

Assim como me despedir da minha família (ou como sair da minha banda), tirar essas guitarras do meu convívio não está sendo fácil, mas sei também que a decisão de ir embora daqui com a mulher da minha vida é a mais certa que fiz até hoje!!!

Portanto, se os senhores e senhoras quiserem me ajudar a acabar mais rápido com esses “partos”, peço que divulgem os instrumentos e equipamentos que estou vendendo para seus amigos músicos!!! Agradeço de antemão!!!

Lista no Mercado Livre

E vamo que vamo!

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Sobre Les Brazucois

:: Fabricio & Nilian . Aventuras e desventuras desses dois imigrantes em Québec, Canadá ::
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2 respostas para Despedindo das guitarras ):

  1. Nem vou me alongar para não ficar triste. Acabei deixando minhas guitarras e violão na casa da minha mãe. Quem sabe meu sobrinho se interessa … Pensei em vender, mas nem saberia como começar. Não é simplesmente uma peça, é uma parte de nossa história, não é ?
    Abração e que o desapega siga seu caminho …

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