A guardiã do castelo e sua cafonice

Salut, mes amis!

Este fim de semana me perguntei várias vezes se a sociedade québecoise é vaidosa como a nossa. Na semana passada, acompanhei uma sessão de fotos na parte histórica do lugar onde trabalho.

Vez ou outra uma noiva, uma adolescente de 15 anos ou um lojista qualquer solicita o espaço, deveras maravilhoso, para realizar sessão de fotos e editoriais de moda.

A Presidência da empresa valoriza demais as obras arquitetônicas que lançaram novos estilos e contribuíram também para a  nossa identidade cultural e histórica. Por isso, comprou um castelinho em ruínas, restaurou e o utiliza como a sede administrativa do grupo. Dessa forma, tenta dar exemplo a outros empresários de Juiz de Fora para abraçarem esta causa, pois dezenas de construções suntuosas foram demolidas para dar lugar a prédios frios e sem expressão. Descaso completo com o acervo arquitetônico e consequentemente com a memória da cidade. Capitalismo selvagem!

Enfim, como já mencionado, algumas pessoas pedem o espaço preservado e muito bem cuidado para cenário de diversos tipos de ensaios fotográficos.

E na semana passada, eu como guardiã-mor, acompanhei o trabalho de uma equipe de profissionais ( ? ) para um editorial de moda. Até aí tudo bem!

Recebi a equipe e me decpcionei logo de cara pela arrogância. Eu não sabia quem era o mais vaidoso do grupo. Como fiquei o tempo todo colada com os profissionais ( ? ), obviamente  para garantir nenhum dano ao local, pude perceber e observar as pessoas discutindo (literalmente) qual seria o melhor ângulo, a melhor pose, tentando a todo custo buscar uma originalidade que desembocou naquele clichê ridículo de fotos sensuais.

Sempre achei que o menos é mais e detesto gente inflando por tão pouco.

“Eu sou o Diretor da Agência!”, “Mas eu sou a Diretora de Produção!”. “Pois eu sou a lojista!”

E os modelos sofreram. Coitados! Tinham que entrar numa historinha cafona para no final fazer uma cara sensual, que nada mais é do que fechar um pouco os olhos e fazer biquinho com a boca. RáRRáRRá!

“Fulano, incorpora a personagem! Imagina que você conquistou essa mulher e está levando-a agora para sua casa. Vocês vão se conhecer melhor, vão se apaixonar e viverão uma ardente paixão. Entendeu? Agora, faça essa cara!”

Enquanto isso eu já tinha vomitado três vezes dentro da porcelana da Dinastia Ming.

E assim caminhou a cansativa sessão de fotos numa cidade provinciana, onde profissionalismo passa longe, pois a vaidade é mais importante.

Dizem que no mundo da moda isso tudo é normal. Vaidade e ego caminham de mãos dadas.

Será que em Québec é assim também? Ou talvez a cafona aqui seja eu!

Bises!

antes – 1983

 

depois – 2008

 

 

 

 

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Sobre Les Brazucois

:: Fabricio & Nilian . Aventuras e desventuras desses dois imigrantes em Québec, Canadá ::
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2 respostas para A guardiã do castelo e sua cafonice

  1. kakakel disse:

    ta de cara nova ne!!

    • Brazucoise disse:

      Já que mon mari nunca participou/participa do Blog, dei um tapa no visual do Brazucoise puxando a sardinha pra mim, pois morro de amores por esse filho informativo 😀
      Bjos, Mari!

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