Relato – Entrevista

Bonjour!

Senta que lá vem história…

Saímos de Juiz de Fora com mais de 24 horas de antecedência (para driblar a famosa Murphy, caso quisesse nos assombrar). Chegamos em São Paulo e fomos direto para o hotel Formule 1, em frente ao Morumbi Shopping e a um 1,5 Km do BIQ.

Deixamos nossas bagagens no hotel e zarpamos a pé para o BIQ a fim de reconhecer a área. Depois de uma caminhada calma de 15 minutos, sob o mormaço paulistano, chegamos até o famoso número 1511 da Av.  Eng Luis Carlos Berrini.  Conversamos um pouquinho com a recepcionista da entrada principal e dali fomos ao Consulado… muito perto! Praticamente é só atravessar a rua!

Chegamos lá na Torre Norte e fomos direto pro guichê do Consulado. Como já passava das 16h não nos deixaram subir para conversar com a Maura. Tudo azul… Tínhamos tempo e faríamos isso logo depois da entrevista, no outro dia. Rá!

Voltamos para o Hotel e tentamos estudar um poquinho. Não conseguimos nos concentrar, nervosismo bateu e Fabricio me convenceu a ir pro shopping distrair. Afinal, tudo o que tínhamos que fazer estava ali incrustrado em nós. E até que a distração temporária fez bem…rs!

Voltamos pro hotel lá pelas 21h. Passamos a noite relativamente bem e às 5h da madrugada eu já estava acordada.

Lá pelas 9h pegamos um táxi no Hotel. Achei que faríamos o percurso em uns cinco minutos, mas São Paulo é São Paulo e pegamos um pequeno  engarrafamento. Chegamos ao BIQ por volta das 09h20, nos apresentamos e fomos informados de que só poderíamos subir às 09h30. Tudo bem! 10 minutos são tranquilos… tranquilos? Nervosismo bateu e ficou!

09h30! Com o coração na goela, subimos até 15º andar, no Bureau du Québec e fomos recepcionados pela Juliana, já falando em francês. A partir daqui tudo foi em francês.

Sentamos na famosa salinha  de espera… espera… espera… até que lá pelas 10h15 uma porta se abriu para a saída de um casal sorridente. Alguns segundos depois, um senhor simpático nos convidou para entrar. Adivinhem quem era?

M. Leblanc à primeira vista já passa tranquilidade e paz. É extremamente educado e estava bem humorado. Fisicamente, ele é alto, cabelos grisalhos e olhos azuis. Ele vestia uma roupa social, sem terno e gravata.

Respiramos fundo, entramos na sala, nos cumprimentamos com aperto de mão e ele indicou os lugares onde eu e Fabricio sentaríamos. Sua mesa em formato ‘L’ estava impecável.

Daí em diante, não foi propriamente uma entrevista e sim uma conversa formal (quase informal) sobre a nossa vida profissional, acadêmica e um pouco pessoal também.

Primeiro, passaportes. Depois, Certidões de Nascimento e Casamento (ops!) Certidão de Casamento? Nós marcamos nos formulários ‘Casados’, mas na verdade somos Conjoint de fait pois temos a Certidão de União Estável firmada em cartório. Pedimos mil desculpas, entregamos os novos Formulários corrigidos e ele não demonstrou qualquer insatisfação com esse vacilo infame e nem nos pediu para ver outro documento que comprovasse nossa União (estávamos com comprovantes de residência dos últimos dois anos, cartões da conta conjunta, extrato da conta conjunta e até contrato da minha Previdência Privada que consta Fabricio como beneficiário). Depois de comer esta mosca, nada mais justo pecarmos pelo excesso de documentos e não pela falta dos mesmos.

Em seguida, diplomas e históricos escolares. Ele brincou com o Fabricio quando viu uma nota vermelha lááááá da segunda série e elogiou também sua trajetória acadêmica. Partiu para os meus diplomas e históricos, coferindo tudo e… de repente… a energia caiu. Sim! A luz  do prédio inteiro acabou! Fiquei atônita, pois só pensava na frustração de não levar meu filho chamado CSQ pra casa.

Vale lembrar: à medida que ele vai conferindo a documentação, ele se vira para o computador e digita, digita, digita… Entendem agora? Sem energia, sem computador, sem digitação, sem CSQ. Essa tortura durou o tempo dele brincar conosco, dizendo que sentia pena de quem estivesse no elevador naquele exato momento.

Voilà! A luz voltou e outro pequeno stress surgiu, pois ele não conseguia logar. Daí Fabricio perguntou sobre o sistema e ele respondeu que é tudo conectado direto com Québec (provavelmente Montreal). Mais uns dois minutinhos e tudo voltou ao normal.

Retomamos… uffa! Dessa vez, passou para as Declarações de Estudo em Francês atualizadas com horas/aula e nos pediu para ficar com elas para arquivar no nosso dossiê.  Em seguida, as declarações de Inglês, mas só pediu as do Fabricio, nem quis saber dos meus diplomas e históricos do cursinho de Inglês.

Partiu para nossa experiência profissional, conferindo as carteiras de trabalho, holeriths e os atestados atualizados que levamos de nossos empregadores. Mais uma vez nos pediu para ficar com estes atestados também para o dossiê.

Em seguida, solicitou os comprovantes de parentesco no Québec e perguntou sobre minha viagem pra lá em 2009. Tudo certinho e amarradinho! Neste momento, mostrei a foto do meu sobrinho que nasceu em novembro lá em Ville de Québec, dizendo que é o primeiro Québecois de nossa família. Ele riu, perguntou o nome dele e adorou, dizendo que Olivier é um nome bem Québecois mesmo!

Enquanto se virou para o computador, pela milésima vez, nos perguntou sobre nossa motivação para a imigrar pro Québec, para a Capital Nacional. Eu iniciei a resposta e Fabricio complementou muito bem.

Finalmente, ele pediu nossos CV’s e nos deu sugestões para alterarmos alguns dados e formatação nele. Perguntou sobre nossa pesquisa de trabalho no Québec e abrimos a outra pasta com todas as informações minuciosamente estudadas, mas ele só quis saber dos planos de trabalho. Não viu nadica de budget, pesquisa da província, da Capital Nacional, dos bairros, etc…etc…

Passou os olhos nas vagas disponíveis que imprimimos e fez uma cara muito boa.  Aliás, elogiou bastante nossas opções pesquisadas para os Planos A, B e C do Fabricio. E riu muito dos nossos planos D e E (Cassier e Aide-cuisinier).

Quanto aos meus planos de trabalho, gostou muito também e me deu altas dicas, principalmente para eu estudar a gramática, aprender a escrever bem o Francês e nessa hora me passou dois folders da FEL (Francisação en ligne), como sugestão para fazer ainda no Brasil. Nossa! Eu fiquei ultra lisonjeada pela atenção dele na minha profissão (jornalismo).

Finalmente, ele se virou pela última vez para o computador, nos parabenizando e entregando o Apprendre le Québec. E não rolou nenhuma pergunta em inglês.

Impressora funcionou e eis que surgem as intermináveis vias do CSQ, juntamente com a tabela de nossa pontuação final (74). Pediu para conferir os dados e para assinar uma das vias. Dúvidas? Nenhuma! Entoces, tudo certo! Ele se levantou, abriu a porta para sairmos e apertou minha mão novamente parabenizando pelo Olivier…rs

Saímos de lá leves, muito leves com a sensação do dever cumprido e a gratidão no coração por termos tantas pessoas (parentes e amigos) que nos ajudaram nesta empreitada…

Posso chorar agora?! Que nada… Estamos muito felizes e até fizemos um vídeo de tudo isso que escrevi agora. Fabricio está editando e em breve postaremos aqui, pois tá ficando legal e engraçado!!!

Bisous

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Sobre Les Brazucois

:: Fabricio & Nilian . Aventuras e desventuras desses dois imigrantes em Québec, Canadá ::
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18 respostas para Relato – Entrevista

  1. Marcus Lanna disse:

    PARABÉNS, les nouveaux québecois!!!

    Muito legal o relato!!! Adorei!!! Principalmente a parte do Olivier e de saber que o entrevistador de vocês foi o M. Daniel Leblanc. O mesmo que nos entrevistou. Realmente, ele é muito fino, agradável e simpático! Ótima pessoa! Vocês deram muita sorte de serem entrevistados por ele. Mas vocês merecem!

    Abração apertado! Não vejo a hora de buscá-los no aeroporto!

    Marcão.

    • Brazucoise disse:

      Pois é! Mal meu sobrinho nasce e a tia já aproveita do menino…rs! Mas, por uma boa causa!
      Fiquei feliz tbm por ser o M. Leblanc. Sinal de sorte, não?!
      E que venha o Processo “Foderal”…
      Abraços, Marcão e Até Breve!

  2. Rodrigo Sapo Tavares disse:

    Parabéns!
    Esse ano é a vez dos Tavares-Lima passarem por essa maratona toda!
    Abração pra vcs!

    • Brazucoise disse:

      \o/ Uhu \o/
      Ficamos muito felizes com esta decisão de vocês, Sapo… E vamos buscá-los no aeroporto de lá… hehehe
      Sejam firmes e persistentes! Precisando de um help é só nos contactar!
      Bonne chance et courage!

  3. Carol disse:

    Parabéns para vcs, pelo CSQ! E que coisa boa poder se juntar à família no Québec e curtir o sobrinho que já nasceu trazendo sorte!

    Eu também sou de JF… mas me mudei há muitos anos… tem bastante gente daí querendo ir para o Québec?

    À bientôt!

    • Brazucoise disse:

      Ei, Carol! Quer dizer que você é minha conterrânea?! Muito Prazer…rs Nossa cidade permanece a mesma, menina! Pastel da Mexicana, Bar do Bigode, Doceria Brasil, Calçadão… Ô vidinha pacata, sô!

      Até onde sei, somos o segundo casal de JF nesta empreitada gelada… O outro casal já está no Canadá, mas nao no Québec. Eles moram em Toronto.

      Bisous

      • Carol disse:

        Sem falar no cigarrete da Maxi pão! Sábado estou aí em JF para o Natal! Contando os dias! Amo esta cidade!
        E espero ser mais uma juizforana em Ville de Québec!

        bisous!

  4. Núncia disse:

    Que maravilha!
    Estamos muito felizes!!! Mais um pouquinho, e Lalá e Olivier terão os queridos tios aqui com eles. Beijos.

  5. Brazucoise disse:

    Os titios-ovelhas-negras aqui vão levar Lalá e Olivier p/ os shows de rock!!! Abração! Fabricio

  6. Oi, Nilian! Prabéns a vosês pelo CSQ tão sonhado e conquistado! Eu adoro ler relatos de entrevista… Hehehe… Já tão preparando os documentos para enviar o Federal? Aliás, perguntinha básica: vocês conseguiram voltar ao Consulado e tirar as dúvidas com a Maura? Caso a resposta seja afirmativa seria legal faze um post para compartilhar as informações…

    Eu não lembrava que vocês tinham família em Québec! Que massa! Eu gostei muito de Québec quando visitei em desembro passado, é uma cidadezinha tão fofa… Por mim Rafael e eu iríamos direto pra lá, mas o Rafa acha que Québec é uma roça e que não sobreviveríamos lá nem 6 meses! Hahaha! Eu disse a ele que dia desses teve show do Metallica \m/ por lá então não é tão roça assim!

    Beijos,
    Lídia.

  7. Juliana Souza disse:

    Hahahahaha.. Gostei de ser o CASAL SIMPÁTICO 😉
    E pioooor que saimos Às 10h15 exatemente. Vcs estavam uma pilha contando os minutos, heim.. hihihihi

    Estou adorando o blog!! Bjos p vcs!!

    • Brazucoise disse:

      E aí, CASAL SIMPÁTICO! Nem nos falamos aquele dia, né?
      De um lado, dois tensos e nervosos e de outro, dois levíssimos e tranquilos… A sintonia estava abalada hahahaha
      Grande prazer recebê-los por aqui no Brazucoise e Boa Sorte no Federal. Vamos trocando figurinhas…
      Abração

      P.S. Vocês nos devem 15 minutos…rs!

      • Juliana Souza disse:

        Hahahaha.. vai dizer que vcs queriam mais 15 min c o M. Leblanc 😛
        Teria cedido estes minutos sem probl algum p vcs.. 😉

        Um abraço. Continuaremos seguindo o blog d vcs (q está otimo por sinal!!) e os aviso assim que tiver novidades tb!! Boa sorte p nos 🙂

      • Brazucoise disse:

        Até que ficar conversando com o M. Leblanc não seria ruim…rs! Companhia agradável, educado e ótima oportunidade para praticar o FrancêsQuébecois, né?!

  8. Juliana Souza disse:

    Aproveitando, uma pergunta:
    – Onde está o numero do CSQ?

    • Brazucoise disse:

      Bem, nós colocamos no Formulário do Processo Federal aquele primeiro lá em cima à direita (Numero du dossier). O de baixo, vamos utilizar para o cadastro na FEL (Francisation en ligne), pois é individual.
      Espero que esteja certo…rs!
      Qquer coisa, grita!
      Bjin

  9. Pingback: Brasileiro pra todos os gostos « Brazucoise

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