Minha vida de estudante no cégep – parte 3

Salut mes amis.

Já comecei mais uma sessão (ou semestre) no Cégep Garneau e, como de praxe, vim dividir com vocês meu looooongo percurso rumo ao tão sonhado DEC.

Para este outono, a tendência é surtar com sete matérias:

Activité physique (Cardio-vélo) – Salve! Finalmente o último período de educação física! Pra fechar com chave de ouro, lá vou eu fazer spinning. Vou te falar, viu! Não nasci pra isso! Me chama para passear de bicicleta num parque, mas não me chama pra pedalar numa academia ao som de músicas motivadoras (pra não dizer ensurdecedoras). Se fosse um rock’n’roll… Enfim, me sinto numa rave da geração saúde! Até agora não bateu a onda da endorfina. Definitivamente, eu tinha que ser objeto de estudo. Acho atividade fìsica um saco.

Analyse de la fonction de travail – Mais uma matéria específica do curso Techniques de la documentation. Acho que é mais pra cumprir tabela do que pra desenvolver alguma habilidade, pois apresenta uma visão geral das áreas de atuação. Vamos ter também palestras de profissionais que já estão encarando o mercado de trabalho, além de visitas em bibliotecas públicas e privadas, no famoso arquivo histórico do governo de Québec e em algumas escolas do primário e do secundário.

Documents et producteurs – Taí uma disciplina específica que estou amando e achando deveras interessante. Basicamente, você aprende a distinguir as categorias de documentos para classificá-los corretamente de acordo com o padrão daqui porque livro é livro e brochura é brochura😀

Littérature et imaginaire – Dando continuidade ao francês nosso de cada dia. Dessa vez, adentrarei no universo de Molière, Victor Hugo e Alessandro Baricco. E, para sustentar ainda mais meu pânico de falar, terei que fazer uma apresentação oral depois de assistitr à peça Les bons débarras. Imaginem… Já estou suando só de escrever sobre isso!

Organisation du savoir et structures classificatoires – Mais uma matéria específica que, a grosso modo, orienta o profissional a não fazer merda na hora de classificar um documento físico ou digital.

Recherche d’informations 1 – Como o próprio nome diz, esta disciplina, também específica, mostra onde-como-quando-e-porque saber pesquisar um assunto ou tema é primordial para profissional de biblioteca, de arquivo ou de gestão de documentos administrativos.

Traitement de texte et d’images – Aqui está a última matéria que nada mais é do que aprender mais a fundo as ferramentas do Word 2010. Torci o nariz no começo porque pensei “Putz! Ter que ir no cégep pra aprender Word?!!”. E, claro, quebrei a cara. Rapaz… o Word é Animal e eu sou a anta na cadeia alimentar do conhecimento.

Ééééé… minha gente, no meio disso tudo completei minhas 40 primaveras. Não vou mentir que bateu insegurança, pois cairei no mercado de trabalho quebeca com 42 aninhos. Será que não estou “velha” pra isso? Bem, só vou descobrir depois, né?

Preciso pedalar agora.

Até a próxima!

Como me sinto. É claro que eu sou o peixe!  Google imagens

Como me sinto. É claro que eu sou o peixe!
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N e o reino distante

Atenção: essa é uma obra de ficção. Qualquer semelhança com pessoas ou fatos reais é mera coincidência!

 

Era uma vez uma linda vassala que se chamava N. Sua vila feudal fora marcada por histórias tirânicas e corruptas. N se cansou da vassalagem exploratória e se jogou no mundo. Ela queria a chance de reconstruir sua vida num lugar especial e se tornou uma estrangeira errante num reino distante, cuja suserania era justa e exigente. No entanto, N não falava muito bem o dialeto daquele reino. Ela queria fazer e vender pães e pediu ajuda ao suserano. Ele a atendeu prontamente, dizendo que seria necessário estudar, mas que ele poderia custear o curso, uma vez que o reino distante precisava de padeiros. N decidiu, então, entrar para a escola de panificação & confeitaria e recebia, todos os meses, mil  moedas de ouro. N sabia que, ao final do curso, devolveria parte das moedas ao reino distante. Fazia parte do contrato. O verão chegou e com ele o período de vacação. N arreou o cavalo, cavalgou até o porto, comprou dez garrafas de rum pois passaria os próximos sete dias numa caravela rumo à sua vila feudal. Ela precisava ver sua mãe-de-leite e seus amigos de taverna. Depois de uma lunação, N retornou ao reino distante. Com a escola fechada por mais um mês, N se viu diante do ócio e decidiu sair à procura de trabalho temporário. Não conseguiu. O período de contratação terminara há semanas. N ficou frustrada, entrou na taverna mais próxima, pediu uma dose dupla de rum e viu um panfleto na parede “Precisa-se de mão de obra para colheita de milho”. Desistiu do rum, pois cavalgaria até a fazenda do milharal. Dois dedos de prosa com o fazendeiro, N conseguiu o emprego. Começaria em uma semana. Todavia, algo começou a perturbá-la. O fazendeiro não solicitou qualquer documento de N e o salário seria pago por debaixo da mesa. Assim, fazendeiro e N não pagariam qualquer alcavala para o suserano. E se o suserano descobrisse? Adeus escola, adeus pães, adeus moedas de ouro, adeus reino distante. Se N desistiu de sua vila feudal justamente por não concordar com esse tipo de deslize, nem deveria ter aceitado o emprego, ora bolas! Pois é… Ela só caiu na real alguns dias depois. Arreou o cavalo, seguiu até o milharal, pediu desculpas ao fazendeiro e desistiu do emprego. O fazendeiro entendeu e seguiu sua vida anormalmente. N agora espera o retorno às aulas, um pouco envergonhada por aceitar o emprego logo de cara e um pouco surpresa por descobrir que até no reino distante sempre tem alguém debaixo da mesa. Ela só quer viver honestamente e tomar seu rum tranquilamente com sua mente.

FIM

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Vida de imigrante é puro glamour #sqn

Salut mes amis.

Os dias por aqui estão abafados e nosso ventilador anda trabalhando bastante. É verão! Tá fazendo tanto calor nas terras do norte que, na noite passada, sonhei com a neve. Vê se pode… Acho que tô virando quebequense mesmo. No inverno, reclama e amaldiçoa a neve e no verão, sente falta dela…rs!

Atualizando nossa vida por aqui, euzinha passei com média final de 73,8% na sessão de inverno (ou semestre) do meu curso no Cégep Garneau. Ufa! Que venha logo a próxima sessão para domesticar essa ansiedade monstra. Não vejo a hora de conseguir meu DEC e mergulhar de vez no mercado de trabalho. Eu sei… eu sei… ainda faltam alguns períodos, uns dois ou três anos de estudos pela frente. Respire, Passarinha… Respire! As palavras do meu mantra por aqui são PACIÊNCIA! FOCO! DEDICAÇÃO! Ommm ॐ

Já para o Fabricio o mercado de trabalho sorriu de vez. Finalmente ele foi efetivado e já começou na nova função uma semana depois que chegamos das férias no Brasil. Tudo caminhando bem, graças a todo esforço e dedicação dele. Estamos muito contentes com essa nova etapa.

Muitos não imaginam o stress, o medo, a incerteza e a insegurança que rondam a vida de um imigrante até conseguir o primeiro emprego na área de atuação. Outros nem imaginam como é desgastante esse processo de adaptação a um novo, e cabuloso, mercado de trabalho. E ainda tem aqueles que nem levam em conta o duro que se dá para vencer a barreira do idioma. Tem muita gente que tira suas conclusões baseadas em fotos de instagram e acha que estamos ricos, que nossa vida é puro glamour. Ledo engano…rs!

Só quem vive essa experiência na pele sabe do que estamos falando. Nada é fácil por aqui! Nada! Por isso, comemoramos cada conquista, cada subidinha de degrau.

Bem, preciso ir. Tá na hora de eternizar um pôr do sol no instagram. A natureza é exuberante e oferece uma porrada de espetáculo gratuito. Isso sim é glamour!😀

Inté mais!

Isso sim é glamour!

Isso sim é glamour!

 

 

 

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Apátrida? Eu?

Salut mes amis.

Não sei se já havia contado, mas passamos o mês de junho no Brasil. Sumiço mais do que justificável. Nosso tempo foi dedicado à família e aos amigos, além de algumas horinhas em bancos e repartições públicas para resolver burocracias, como regularizar nossa situação na justiça eleitoral por causa da ausência na última eleição.

E como foi nossa viagem às terras tupiniquins depois de dois anos morando em Lévis, na Província de Québec?

Não quero criar inimizades ou despertar o ódio, mas o Brasil está um caos (ou será que sempre foi assim?).

No primeiro dia eu fiquei completamente atordoada com o barulho. Era televisão ligada nas alturas, telefone tocando, cachorro latindo, carro tunado passando na rua com som ensurdecedor tocando uns funks escrotos (sim, eu odeio funk!) e fazendo os vidros das janelas vibrarem, fora o caminhão do sinhôzin grunhindo “Olha a uva! Olha a uva! Moça bonita não paga, mas também não leva!”. Loucura!

Meus cinco sentidos trabalharam muito. Senti o cheirinho da minha Mãe, vi como meu sobrinho de 13 anos mudou (já é um rapaz!), ouvi várias declarações de amor de amigos e entes queridos, fiz carinho nos meus “sobrinhos caninos” e degustei desordenadamente a culinária brazuca.

Contudo, concluí que não pertenço mais ao Brasil. É estranha demais essa sensação. Não sei se consigo explicá-la para vocês. Eu estava na minha “terra natal”, super à vontade com meus amigos e parentes, mas, ao mesmo tempo, completamente deslocada.

E quando o avião aterrissou em Québec eu relaxei. Relaxei porque vivi momentos estranhos no Brasil: medo de assalto, violência no trânsito, intolerância, despreparo do funcionalismo público, latinidade exacerbada, falta de educação e blá blá blá! Nada mudou. Eu mudei!

Já que você “renega” e não pertence mais ao Brasil, Nilian, então você pensa que é o que? Depois dessa viagem, reafirmei com os meus botões que hoje eu me considero apátrida. Não me vejo mais brasileira, tampouco Québécoise (ou canadense😀 ). Admito que parte da minha memória afetiva vive uma crise.

E já que uma certa rebeldia tomou conta deste post, bora terminá-lo com um punk! Resume bem minha casa, minha vida!

Inté mais!

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Continuamos sem juízo

29 de Maio de 2016. Dois anos que dissemos “Au revoir, Brésil!”

30 de Maio de 2016. Dois anos que dissemos “Salut, Québec!”

Mais um ano, senhoras e senhores!

Mais aprendizado, mais experiência, mais francês, mais perrengue, mais inverno, mais descoberta, mais integração, mais trabalho, mais estudo, mais lazer… Quanto mais o tempo passa, mais temos certeza de que fizemos a escolha certa.

Quando leio isso fico impressionada com a intensidade de nossa vida por essas bandas daqui. Imigração é transformação! E é bom bagarai!

Mais uma vez, agradecemos a todos os entes queridos, amigos carnais, amigos espirituais e os amigos virtuais que acompanham nossa trajetória.

A quem interessar possa, estas duas almas continuam sem juízo e não querem voltar!

Que venha o ano III. #partiucidadania

Nous sommes les Brazucois. Enchanté!

Música: Sem juízo, banda Martiataka

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O inevitável e os contatos

Salut mes amis!

Finalmente terminaram as aulas da sessão de inverno do Cégep. Agora sim… Estou duas toneladas mais leve e posso voltar à ativa por aqui. GêzuzMariaJozé! Que semestre intenso, minha gente. Achei que não iria dar conta não, viu! Passei muito aperto. Ainda não sei se fui aprovada, pois minhas últimas provas foram na sexta (20 de maio) e as notas finais só serão divulgadas daqui a duas semanas. Das seis matérias que fiz, fiquei pendurada em duas. Uma delas acho que consegui a pontuação necessária. Já a outra… estou com pé atrás, pois não fiz boa prova. Nem preciso dizer que estou bem amuada com essa parada. Inevitável! Sei que é só uma matéria. Sei que fiz meu melhor. Sei que estudar em outro idioma é algo bem interessante (rs!). Sei que não posso me cobrar tanto. Mas… tenho aquele 1% que fica martelando meu juízo me torturando. Inevitável… A minha sorte é que ando assoberbada com a viagem que faremos pro Brasil em junho. Não tá sobrando muito tempo pra lamber essas feridas de Cégep.

Pois é… Fabricio e eu precisamos resolver algumas pendengas buRRocráticas em terras tupiniquins, sem falar na saudade avassaladora de nossas Mães. Decidimos, então passar uns 20 dias por lá, aproveitando minhas férias de verão e o encerramento do contrato temporário do Fabricio no Revenu Québec. Bem, não tão temporário assim, pois surgiram outras oportunidades. Como o assunto é looongo e complexo, faremos um post especial sobre isso! O que posso adiantar é que existe uma luz no fim do túnel e Fabricio tem chances de começar em outra função quando voltar😀

Mesmo com a viagem decidida e comprada desde janeiro, resolvi participar das seleções de emprego de verão para estudantes. Só pra situar: durante o verão, muitas empresas abrem vagas de emprego para estudantes de diversas áreas de atuação. Surpreendentemente, apareceram muitas ofertas na área de Documentação (Techniques de la documentação) e acabei sendo chamada para algumas entrevistas e passei😀 Como já desconfiava, não pude aceitar por conta da viagem pro Brasil, mas fiz meus contatos e acabei “garantindo” uma vaga para o próximo verão. Nooooossa! Mas o próximo verão tá longe! Muita água vai passar debaixo da ponte e muita neve vai cair até lá! Óbvio que vai, mas não custa nada manter esse contato, não é mesmo?!

Aliás, graças a um contato, fomos convidados a participar de um projeto bem legal. Olhem só a gente aqui.

Agora, com licença que vou ali curtir um calorzinho. O verão nos chama!

Volto logo!

Tá calor!

Tá calor!

 

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Sinal

Salut mes amis!

Antes de mais nada, desculpem pela falta de acentos nas palavras. O teclado é diferente e eu nao acho o «til», nem o «acento agudo».

Como nao gosto de deixar o bloguinho tao largado às moscas, resolvi passar aqui rapidinho pra dar um sinal de vida.

Fabricio e eu estamos bem, na medida do possivel…rs!

O final da sessao de inverno se aproxima e estou pendurada em duas matérias. Isso quer dizer que ando sem vida normal ha algumas semanas. Dia 20 de maio sera minha ultima prova. Nao vejo a hora… Assim, poderei contar meia duzia de novidades.

Até breve!

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