Minha vida de estudante no cégep – parte 4

Salut mes amis!

Vejam só… já estou na quarta sessao (ou quarto semestre) do curso Techniques de la documentaçao do Cégep Garneau. Passa rápido bagarai e, ao mesmo tempo, parece que nunca vai ter fim… Vai entender!

Neste inverno 2017, estou encarando seis matérias e, como de praxe, aí vai o perfil de cada uma delas:

 Classification de la Library of Congress – Esta é uma matéria especifica do curso. Aqui no Canada, a maioria das bibliotecas classifica seus livros respeitando as normas da famosa Library of Congress, a biblioteca do Congresso dos Estados Unidos. Nao é uma matéria dificl, mas também nao é facil, pois o conteúdo está todo em inglês e passo uns apertos na hora de traduzir e decidir em qual a área do conhecimento um determinado livro se encaixa.

Classification Dewey – Outra matéria especifica e, como o próprio nome diz, outro tipo de classificaçao documentária bem utilizado por aqui. O nível de dificuldade é o mesmo da Library of Congress, mas estou sobrevivendo.

Littérature québécoise – Aterrissei na terceira literatura obrigatória para quem opta por un DEC (Diplôme d’études collégiales). Confesso que tô adorando. Já li o romance Maria Chapdelaine de Louis Hémon e duas peças de teatro: Les belles-soeurs e À toi, pour toujours, ta Marie-Lou,  do célebre Michel Tremblay. O romance é bem água com açúcar, mas as peças mexeram muito comigo porque mostram uma realidade bem crua do Québec. Tenho mais três obras pela frente. É a melhor literatura do DEC até agora, apesar de exigir muito na hora das provas dissertativas.

Parênteses (Se alguém tiver interesse, vou doar todos os livros depois de terminado o período. Tenho pânico de ver minha estante abarrotada de livros que já li. Nao tenho apego, pois acredito que um livro precisa circular, ainda mais se for bom. Entao… se alguém quiser, é só falar :D)

Philosophie et rationalité – #VemNiMim, Antisthène, Diogène, Épicure, Zénon de Cition, Platon… Se é obrigatório encarar esses lokis, bora enlouquecer junto com eles!

Promotion de services documentaires – Outra matéria específica e muito interessante, pois nao tem prova. A classe foi dividida em equipes e cada equipe terá que fazer uma exposiçao na biblioteca do cégep. Daí todos os preparativos até a execuçao serao avaliados. A minha equipe vai expor entre 31 de março e 7 de abril e o tema escolhido foi BleuBlancVert : voir au-delà de la couleur.

Recherche d’informations 2 – Esta disciplina, também específica, dá continuidade ao esquema onde-como-quando-e-porque saber pesquisar um assunto ou tema é primordial para profissional de biblioteca, de arquivo ou de gestão de documentos administrativos.

E assim caminha a humanidade estudantil…

Como nao vamos ao Brasil este ano visitar nossos entes queridos, vou encarar um trabalho de verao, talvez na área da documentation… Assunto pra outro post, ok?

Até a próxima!

bleu-blanc

BleuBlancVert : voir au-delà de la couleur

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Ziriguidum? Laiálaiá? Paranauê!!!

Por Fabricio

Tem muita coisa bacana da cultura brasileira que, de alguma forma, nos faz falta! A gente faz o que pode para tentar compensar isso e eu posso dizer que a gente vive bem com essas compensações!

Às vezes nós nos deparamos com surpresas agradáveis, como encontrar um vinil do Beto Guedes em um sebo daqui de Quebec ou fazer uma vaca atolada*** com a saborosa mandioca vinda da Guatemala que a gente sempre encontra no supermercado…

Lógico que tem coisas da cultura brasileira que não nos faz a menor falta! Mas acredito que estas coisas não fazem falta até para quem mora no Brasil(rs) e, como parte da cultura brasileira, a gente reclama bastante destas coisas que nos incomodam! Surpresas desagradáveis também aparecem por conta disso…

Muitas dessas coisas nos fizeram colocar nossos planos e sentimentos na balança e, da balança, direto para a mala! Migrar (legalmente) para cá foi, definitivamente, “A” escolha!!!

A inevitável e constante comparação entre os dois lugares, as duas culturas e duas políticas nos rende algumas “madrugadas filosóficas” de tempos em tempos, mesmo porque a gente chega aqui com as referências do lugar de onde saímos. Na grande maioria das vezes, a comparação nos leva a conclusões muito positivas em realção a onde estamos e, obviamente, negativas em relação ao Brasil… É a constante reafirmação de que fizemos uma boa escolha! Bom para nós!!! Êta ferro!!!

Mas, às vezes, compartilhar a felicidade de alguma pequena vitória daqui ou reclamar/criticar de alguma coisa errada das terras tupiniquins pode não soar muito bem por lá, como eu pude observar recentemente depois de lançar mão do meu humor ácido (aliás, característica tipicamente brasileira) para falar das bizarrices deste último carnaval que chegaram aqui pelas redes sociais…

Prontamente, chegaram mensagens questionando a minha (AINDA) enorme preocupação com o Brasil já que eu não moro mais lá… Aquela já conhecida mensagem subliminar de cuspir no prato que comi e trololós adjacentes…

Como assim, maluco?! Minha família e meus amigos estão lá, uai!!! Como não me preocupar??? Se eu não me preocupasse com o lugar onde vivem algumas das pessoas que mais amo neste planeta meu coração seria mais gelado que o inverno daqui, tabarnak!

Quem vive a migração como nós vivemos, sabe que essa vida é a soma do que trazemos de bom do nosso país de origem com o que há de bom que adquirimos no país que nos acolhe. A SOMA!!! Temos dois países agora, sacou?!

Quem não tem a experiência da migração, por mais viajado que seja, acaba achando que você deixa de ser brasileiro e começa a “gringar” quando sai do Brasil em definitivo mas continua soltando um ou outro comentário mais azedinho de tempos em tempos (ou de bizarrices em bizarrices que pipocam por lá).

Bom! No meu caso, nasci no Brasil e sou filho de um brasileiro com uma brasileira… Para quem não sabe, só isso já me assegura o meu glorioso “status” de cidadão brasileiro ad æternum, mas o fato de eu ainda pagar impostos lá, me garante ainda mais o direito (que qualquer brasileiro tem) de reclamar do que eu acho que está errado no Brasil! Então, neste caso, acho que, na verdade, o prato que eu comi é que está cuspindo em mim(rs)!

Minha mãe, a essa altura de seus 84 anos, não precisa ver o ânus de uma popozuda pintada de verde transmitido em cadeia nacional em zoom aberto disputar ibope com a notícia da nova vida em liberdade do goleiro Bruno ou o habeas corpus de mais um político envolvido na corrupção que coloca a direita e a esquerda no mesmo tabuleiro de pizza…

Notícia boa? Tem também, uai! Para quem torceu para a Portela, ela é campeã depois de 33 anos de jejum… Olha que notícia boa!!!

O bizarro virou regra nessa terra esquecida por deus (que, diga-se de passagem, é considerado brasileiro mesmo sem ter nascido lá e sem ter pago um centavo de imposto)! Mas quem está errado??? Eu, que não moro mais lá e que, por conta disso, não tenho mais o direito de falar mal do Brasil, pois eu puxo as pessoas para baixo com o meu post de “feliz ano novo” em uma quarta-feira de cinzas pós hashtag do “cuverde”…

Caríssimo leitor, se você está neste processo de migração torturante, tenha a absoluta certeza de que querer melhorar não é defeito! Sacrificar-se e correr atrás disso é 100% válido e nobre! E sim! Você tem o direito de falar o que quiser de seus países, sejam eles o de origem ou o de destino!!!

Para terminar, deixo aqui um link de uma cantora francesa de trocentos anos que é muito mais velha e azeda do que eu e a Rita Lee juntos. É bom para você praticar o seu francês também.

***Vaca atolada – Para quem não conhece essa iguaria tipicamente mineira, sugiro uma rápida “googlada” para que você comece a se perguntar como você sobreviveu até hoje sem consumi-la em doses cavalares! Sugiro googlar “Feijão Amigo” também!!!
ziriguidum_laialaia

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1 ano de estribo biônico

Por: Fabricio
Bem! Vou falar da minha experiência com o sistema de saúde pública daqui do Québec… Sei que tem gente (que mora aqui, obviamente) que pode não concordar comigo, mas cada um tem suas experiências com este sistema… Vou contar A MINHA para os meus conterrâneos então, beleza?!

Há pouco mais de um ano, eu me submeti a uma cirurgia no ouvido esquerdo que substituiu esse ossinho minúsculo no canto direito da foto abaixo (o estribo – ah esse danado…) por um “micro-estribo-estribado-super-power-biônico”, feito de titânio e teflon.

Resumindo, eu tinha um problema chamado otosclerose neste ouvido. Resumindo novamente, a função desse ossinho (o danado do estribo) é vibrar mais que a torcida do Flamengo. Mas o dito-cujo estava calcificado e quase não vibrava mais (parecia muito com uma outra torcida que não vem ao caso agora)… E resumindo de novo, eu estava 85% surdo do ouvido esquerdo.

Eu tentei corrigir este problema antes de vir para cá! Há muitos anos atrás, o valor desta cirurgia no brasil era equivalente ao preço de um carro popular e não era coberta pelo meu plano de saúde… E a fila de espera por uma cirurgia como esta pelo SUS… bem… tic-tac… tic… tac… … … … tic… … … … … … … tac(…). Tive que aprender a conviver com minha “surdez-canhota-progressiva” por looooongos anos… Até chegar aqui!

Bastou um (isso mesmo! UM ÚNICO) telefonema para marcar uma consulta com nossa “médica de família”. Ela me examinou e encaminhou minha ficha para um otorrino que me ligou alguns dias depois (isso mesmo! o médico me ligou) agendando uma consulta. Dali até o dia da cirurgia, foram pouco mais de 2 meses… Nesse meio-tempo, foi um tal de gente me ligando para marcar exame de audiometria, exames cardíacos, amostra de sangue e afins… O número do meu telefone ficou famoso no meio médico-quebequense nessa época! Todo mundo me ligava(kkkkkkk)…

Lembrando que tudo o que eu fiz foi APENAS UM TELEFONEMA para a nossa médica de família! Bastou um único telefonema e minha surdez de 15 (ou mais) anos acabou em três meses(ou menos)!!!

Um ano depois da cirurgia, eu, deitado na minha cama, escuto feliz o tic-tac do relógio lá na sala, a gotinha pingando do chuveiro, o vento, o corvo e até o “nhique-nhique” da falta de lubrificação do pedal de bumbo do John Bonham na versão de estúdio de “Since I’ve been loving you“! Estribo biônico 100%!!!

Quanto eu paguei por este “tratamento vip”? Nada mais que os impostos que todo mundo paga por aqui!

E é por essas (e outras) que eu tenho certeza de que tomei a decisão certa ao vir para cá e que, infelizmente, bate cada vez mais forte uma preguiça danada de voltar lá em cima e corrigir aquele b minúsculo no nome do país onde eu nasci…
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2016 em algumas linhas

Salut mes amis,

É mesmo. Eu falei no último post que faria uma restrospectiva do ano que já se foi, mas bateu aquela típica preguiça de inverno e protelei… protelei… protelei. Para não ficar muito feio, vou resumir 2016 em algumas linhas.

Apesar dos pesares, foi um ano bem positivo pra nós. Fabricio voltou a escutar 100%, foi efetivado no trabalho e está evoluindo no francês nosso de cada dia.

Se eu pudesse dar um nome para o meu 2016, seria Cégep…rs! Afinal, dos 12 meses do ano, oito foram de dedicação total ao curso Techniques de la documentation. Além disso, continuei firme e forte no trabalho voluntário e, graças a ele, evoluí bastante no idioma e me deparei com alguns problemas sociais da Província de Québec (post à vista).

Pra concluir, fomos ao Brasil matar a saudade dos amigos e entes queridos e descobrimos que a migração foi nossa tacada de mestre. Que decisão mais acertada da nossa vida! Bingo!

Agora, bora passar o comando para 2017 que já chegou abrindo portas!

No mais, na próxima segunda, dia 23 de janeiro, começo mais um semestre de estudos e loucuras, bem daquele jeitinho insano que gosto. Pena que não consegui conciliar os novos horários e deixei o voluntariado na biblioteca temporariamente (post à vista). C’est la vie…

Inté mais e Feliz Ano Novo!

primavera_2016

Primavera 2016

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Verão 2016 – Festival d’été de Québec 😀

outono

Outono 2016

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Inverno 2016

 

 

 

 

 

 

 

 

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Terceira sessão no cégep ✓

Salut,

Finalmente minhas notas do terceiro período do curso do Cégep foram divulgadas e tirei uma tonelada das costas. Fui aprovada nas sete matérias. Que alívio! É claro que fiquei radiante, feliz e saí pulando pela casa quando recebi o resultado final e, principalmente, quando li a mensagem da professora de Littérature et imaginaire. Justamente a matéria que me faz/fazia sentir dores me rendeu a melhor nota. Sei que pra muitos isso não é nada, mas cada passo dado em solo quebequense é uma vitória para nós forasteiros em terras geladas. E ganha um doce de neve recheado de verglas quem adivinhar qual foi a minha menor nota. Pra você que acompanha o bloguinho, essa é fácil!

Brincadeiras e comemorações à parte, agora é cair na real de novo. Já preparo o espírito para o próximo período que começa dia 20 de janeiro. Afinal, tenho mais uns cinco semestres pela frente até pegar o meu sonhado DEC.

Tô aproveitando também as semanas de folga para cuidar direitinho da saúde e do astral. Comecei a fisioterapia e tá me fazendo um bem danado. Acreditam que até o meu quadril estava ligeiramente fora do lugar?! Coisa doida… A recomendação é relaxar ao máximo e fazer alguns exercícios de alongamento em casa. Então, bora seguir à risca. Desse jeito, vou assistir todas as séries e filmes do Netflix. Já matei Black Mirror, Glitch, The Crown e The OA. E aceito sugestões!

Bem, por hoje é só! Pretendo voltar ainda em 2016 para fazer uma restrospectiva deste que foi um ano deveras intenso, singular e emblemático.

Gros bisous

blog

Meu presente de Natal.

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Tintindo nada

Salut mes amis,

Cá estou cansada, esgotada, linda, forte, praticamente uma phoenix ressurgida das cinzas. O semestre foi intenso, movido a adrenalina, café, insônia, camomila,  susto, anti-inflamatório e analgésico-primo-da-morfina. Tudo como manda o figurino de uma mortal sobrevivendo nessa passagem pela Terra. Viram aí? Continuo filosofando e adjetivando, ou seja, estou bem.

Minha vida de cadela, que caiu da mudança e veio parar em Québec, foi permeada de acontecimentos neste segundo semestre emblemático de 2016. Vixe! Eu passei muito perrengue com provas e trabalhos no Cégep. Nao vou mentir que tive muita dificuldade em acompanhar algumas matérias, pois ainda tenho limitaçoes na compreensao do francês, sem falar na parte oral que me deixa mal pra kcete. No entanto, eu cheguei até o fim. Fiz até trabalho em equipe, mesmo nao sendo muita adepta deste método pedagógico. Que o futuro RH da empresa onde eu for trabalhar um dia nao leia isto : eu tenho birra de trabalho em equipe e funciono melhor junto com meu umbigo. Freud explica?

Bem, ainda nao tenho o resultado final das matérias deste periodo. Das sete, passei em quatro com uma certa folga. Aguardo o resultado das outras três, dentre elas Littérature et imaginaire que, mesmo sendo a minha preferida, tirou meu sono. Verdade! Nunca sofri tanto de insônia como tenho sofrido nesses ultimos meses. Meu cérebro tá num ritmo frenético. É francês daqui, português de lá, inglês pelas beiradas, uma suruba de línguas. Coitado! Ele entrava em loop e nao desacelerava. E meu corpo pediu arrego.  Na reta final do período, comecei a sentir um mal estar nas costas. Achei que era má postura e entrava no relaxante muscular com café goela abaixo. Numa segunda de manha, a dor começou a gritar ecoando pelo lado esquerdo. Ferrou! Pensei em cólica renal, mas nao estava com febre. Entrei no tylenol nosso de cada dia e fui fazer prova. Acabei a bendita, matei as outras aulas e vazei. Cheguei em casa, deitei e consegui uma posiçao menos dolorosa. Apaguei. Na madrugada de terça eu estava toda travada. Partiu hospital! Por incrível que pareça, a emergência estava tranquila, só umas quatro pessoas na minha frente (eu amo morar em Charny). Passei pela triagem e meia hora depois o médico me chamou. Parabéns, Nilian! Você acaba de ganhar um torçao na lombar com direito a um despertar do seu nervo ciático. Aproveita a black friday e compre este anti-inflamatório e este analgésico-primo-da-morfina. E pra completar o pacote, voce vai precisar de fazer fisioterapia, minha querida.

Hoje, uns quinze dias depois deste episódio doloroso, estou ótima. O anti-inflamatório foi uma bênçao, mas o analgésico só tomei uma vez. Carácolis! Que remédio forte! O trem te deixa toda esquisita. É praticamente uma ode àquela piada do “num tô tintindo nada”. Você nao tem controle sobre seu corpo. Fiquei drogada. E como este esquema de drogas nao me apetece há tempos, pois a sobriedade é a maior das viagens, eu desisti do analgésico. Sobre a fisioterapia, ainda nao comecei.

E assim resumo pra vocês uma boa parte da minha vidinha loki nestes últimos meses aqui pelas bandas do norte. O post já tá textao demais, né?

Eu volto com novidades mais cedo do que imaginam. Agora estou de férias e num tesao danado de poder escrever sem doer 😀

E segue o inverno…

Da minha janela lateral, do meu quarto de dormir...

Da minha janela lateral, do meu quarto de dormir…

Da minha janela lateral, do meu quarto de dormir...

Da minha janela lateral, do meu quarto de dormir…

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Imigração quebra paradigmas e revela sua faceta mais hostil

Salut mes amis.

Fiquei um tempinho sem vir aqui. Estou exausta, mentalmente exausta. Estudar em outro idioma consome muito. Minhas energias estão sugadas e ainda estamos na metade do semestre. É por isso que deixo o bloguinho de lado. No entanto, é bom lembrar que adoro passar aqui para me expressar, desabafar. Sinto muita falta de escrever sem doer. Como assim doer?

Olha… Se eu contar que sinto dores quando escrevo em francês, vocês vão acreditar? Travo os meus dentes, minha cabeça dói, meu corpo reclama e minha mente míngua. Eu me sinto completamente limitada. Logo eu, a rainha da adjetivação exuberante, a princesa das metáforas exóticas, a deusa da subjetividade exacerbada. Eu não relaxo e tô aprisionada nesta limitação, na falta de vocabulário. Fico louca para escrever um texto em francês me sentido à vontade, sabendo construir as frases e adjetivando impecavelmente. Não sou capaz… Poxa! Isso dói, dói muito. E não sou a única. Fabricio também sente dores na arcada dentária, fora a dorzinha moral, quando precisa mandar um e-mail para alguém do trabalho.

Sei não… Às vezes eu acho que isso é reflexo de uma cobrança cruel que passei a vida inteira. Eu tinha que escrever bem, sem erros gramaticais. Era algo primordial. E na fala, então? Precisava provar que sabia Português para ser alguém na vida. Era um diferencial, diria até um status. E agora, numa versão afrancesada, estou sentindo na pele o meu próprio preconceito.

Assumo de coração escancarado que sempre olhava atravessado o fulano ou a ciclana, colegas de faculdade, que falavam ou escreviam um “pra mim fazer” ou “o professor deveria dar menas matéria”. Eu me perguntava como eles tinham chegado até a universidade. Preconceito linguístico, né? Mas o mundo dá voltas. Quando peguei a correção da minha última análise literária, capotei com a quantidade de erros grosseiros de francês. E estou também numa faculdade (não sei explicar direito, mas considero o Cégep uma faculdade técnica).

Enfim, lá vem a imigração quebrando paradigmas e revelando a sua faceta mais hostil. A lição: carregamos muitos prejulgamentos conosco sim e sair da bolha faz um bem danado. É uma verdadeira libertação, mesmo sentindo minhas dores latentes de francês.

Deixando um pouco essas frustrações francófonas de lado, com a volta às aulas, retomei o voluntariado na biblioteca da escola uma vez por semana e me apaixono cada vez por esse trabalho. Sem dores.

Bom, por hoje é só. Sabe Deus quando voltarei por aqui, mas deixo algumas fotinhas de outono. Ah… o outono…

Gros bisous!

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O outono perfeito é aqui – parte 1!

O outono perfeito é aqui - parte 2!

O outono perfeito é aqui – parte 2!

O outono é perfeito aqui - parte 3!

O outono perfeito é aqui – parte 3!

O outono perfeito é aqui - parte 4!

O outono perfeito é aqui – parte 4!

O outono perfeito é aqui - parte 5!

O outono perfeito é aqui – parte 5!

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